Depois de muitas entrevistas um tanto repetitivas (você pode encontrar todas elas aqui), o site americano Highwire Daze publicou uma entrevista muito interessante, nela a Floor fala sobre o significado das letras de Trial of Mosters e Here's My Hell, sobre sua opinião quanto ao Epica, fala mais sobre sua participação ao vivo no show do Dark Fortress e mais uma vez deixa "no ar" uma possível participação no novo álbum do Star One. Confira a tradução feita pelo FlooRocks: Como você se sente em relação ao álbum homônimo do After Forever, e como a banda estava no período das gravações? Eu tenho muito orgulho do último álbum, acho que é definitivamente o melhor álbum do After Forever. Foi muito animador de gravar, tivemos um produtor muito legal. Nunca tínhamos trabalhado com ele antes, ele chegou bem no fim do processo de composição. Já estava tudo 95% feito e ele veio pra finalizar o som com a gente. Foi uma adição muito boa ao que nós podíamos fazer. Foi um processo muito intenso.
Como você descreveria o som do ReVamp para um fã do After Forever? É similar, porém mais pesado. Tem tanta diferença quanto semelhanças. Eu uso a minha voz de um jeito muito diferente. É mais 'rock oriented' e menos orquestral - mas continua bombástico. No geral, é mais pesado.
O que fez você e o Joost van den Broek (do After Forever) decidirem colaborar juntos num novo projeto? Primeiramente, não é um projeto - é uma nova banda. Eu comecei como um projeto para se desenvolver em uma banda somente para acelerar o processo. Não queria ficar fora de cena por muito tempo, pensava "Quem eu quero que componha pra isso [a banda]?" O Joost foi o primeiro em quem pensei. Ele é um grande tecladista e compositor - alguém que sabe escrever em diferentes estilos. Com ele, eu poderia fazer algo que não fosse um “copia/cola” do After Forever. Ele é muito confiável, ótimo cara e foi o primeiro em quem pensei. Waldemar Sorychta, o guitarrista, eu não conhecia antes. Na verdade, ele me chamou para um outro projeto, mas eu o convidei a se juntar a nós para compor e ele aceitou.
E ai você tem Matthias Landes, o baterista do Dark Fortress, na sua banda. Como você acabou encontrando ele? Eu comecei como um projeto para se transformar numa banda. Trabalhei em três estágios: primeiro a composição, depois gravação e finalmente encontrar os membros da banda. Quanto ao cara que gravou a bateria, eu realmente esperava que ele pudesse se juntar a banda - mas ele estava muito ocupado com outras coisas, então eu decidi continuar procurando. Eu procurei com os outros membros da banda, na minha rede de contatos, coloquei um anuncio online procurando por membros para banda. A maioria das pessoas que achavam que preenchiam os requisitos mandaram materiais (áudios e vídeos). Se eu achasse que poderia dar em algo, eu os convidava para audições. Na verdade um outro baterista que eu conheço de uma banda holandesa que disse "Hey, você deveria conferir ele" e eu fiz. Ele fez a audição e eu fiquei tipo "Ual, yeah! Ele é incrível!". Ele é muito bom, boa técnica, sabe como tocar coisas tipo Dark Fortress muito bem, mas também sabe como ter levada e como tocar coisas mais fáceis e simples. Muitos bateristas de metal são como máquinas, são precisos, mas não tem nenhum 'feeling' ou 'groove'. O Matthias tem os dois.
Eu li que você cantou uma música com o Dark Fortress ou ajudou o Matthias num projeto universitário? O Matthias estudou numa academia em Rotterdam e se graduou há algumas semanas - e ele me chamou para me juntar ao Dark Fortress pra uma música. Foi divertido, eu até pintei um pouco o meu rosto, porque eles tem esse 'corpse paint'. Seria estranho se eu não tivesse, claro que eles não esperavam que eu fizesse, mas quando eles estavam no palco e eu no 'backstage' eu só pintei um coisa grande e preta no meu rosto pra combinar.
Você disse que colocou um anuncio online. Você deve ter recebido algumas coisas muito interessantes ... Sim, houve muitas reações; Algumas mais realistas e outras não. Fui muito clara sobre de onde eu queria que as pessoas fossem. Eu não me importo se você é turco, sul-americano, africano ou indiano, não me importo, enquanto você viva na Holanda. Eu não vou trazer você dos EUA pra ensaiar - ou de onde quer que você seja. Você tem que estar vivendo na Holanda, mas mesmo isso foi difícil porque pessoas de vários lugares do mundo falavam "Sim, eu adoraria ir até ai! Imigraria por você!. Ual, ok! Isso foi maravilhoso.
Here's my Hell é uma introdução bem dinâmica. De onde você tirou as letras pra ela? Eu tive um tempo difícil depois que o After Forever parou. De muitos pensamentos obscuros que eu tive aquele tempo, surgiram novas inspirações. Here's My Hell foi definitivamente uma delas.
Como foi trabalhar com o Speed do Soilwork na música In Sickness Till Death Do Us Part: Disdain? Ele fará uma participação ao vivo em algum show do ReVamp? (Risos) Espero que sim; O Russell Allen (Symphony X) fez uma [participação] no nosso show de lançamento (em Sweet Curse). Mas quanto ao Speed, eu ainda nem conheci ele, ele gravou suas partes quando estava nos estúdios para gravar para o Soilwork nos EUA, então eu nunca encontrei ele. Sobre o Russell, nós somos amigos há muitos anos, desde que nós fizemos uma turnê em 2002 no Star One. Ele estava na Holanda e veio pro nosso show.
Como foi fazer o primeiro show com o ReVamp, você estava muito nervosa? Sim, estava. Na verdade faziam 2 anos e meio que eu tinha feito meu último show com o After Forever. Claro que estive no palco no meio tempo, mas nunca com minha própria banda por uma hora e meia. Nós queríamos que tudo estivesse perfeito - você quer que a sua banda esteja confortável - que o seu 'crew' possa fazer bem seu trabalho. Obviamente o 'crew' era novo também, não conhecia nenhum dos caras quanto a isso. Tinha nova mercadoria chegando e tudo. Foi muito animador.
Há alguma chance de o ReVamp vir até os EUA para fazer alguns shows? Definitivamente esta no alto da minha lista de desejos, mas não há nada concreto ainda. Porém estou trabalhando nisso.
Você continua tendo contato com o Mark Jansen e o que você pensa sobre o Epica e sua vocalista? Sim, e na verdade ele até se juntou à gente no palco há algumas semanas atrás. Tocamos Disdain, foi muito legal! Com certeza continuamos em contato, e tenho que dizer, realmente gostei do último álbum deles. Os álbuns anteriores não eram muito meu tipo de música, mas o último esta bem pesado e orquestral. Acho que a Simone esta diversificando mais a voz dela. Pra mim, como cantora, sempre tentei ser o mais versátil possível - é a minha coisa, mas também aprecio muito isso em outras vozes, isso torna um CD inteiro mais interessante, quando há mais cores usadas na voz. Era algo que eu sentia falta antes, mas agora a Simone realmente cresceu. Eles realmente trabalharam pra construir um nome, acho que isso merece muito respeito.
Como é trabalhar com o Arjen Lucassen do Ayreon e você vai trabalhar em outros projetos com ele? Trabalhar com ele é maravilhoso. Na verdade existem algumas coisas vindo por aí, mas não posso dizer nada ainda.
Quando você gravou a música My House on Mars do álbum The Universal Migrator do Ayreon, você conheceu o Johan Edlund do Tiamat, como foi fazer esse dueto? Eu não o conhecia antes, mas encontrei ele depois. Ele é um cara muito legal. Lembro que me disseram que ele era uma pessoa muito 'fechada', nunca dizia muita coisa. Quando eu o encontrei, ele falava e falava e falava. É um cara muito legal.
Sendo sua música tão dramática, alguma vez você já quis atuar e fazer um musical como o The Phantom Of The Opera, Mamma Mia, ou algo assim? Talvez o Phantom sim, é o meu musical favorito junto com Jeckyl and Hyde. Atuar em sim eu gosto, sempre me pergunto se eu poderia ser uma atriz, acho que seria divertido. Eu sempre gosto de estar na pele de outras pessoas e quando escrevo, faço a mesma coisa. Mas um musical, não; Na verdade eu estudei teatro musical por um tempo e notei que eu não me encaixava realmente, eu sabia cantar, mas não sou uma pessoa teatral. Sou uma cantora de rock, é um mundo diferente, com pessoas diferentes. Talvez eu faça isso quando tiver uns 50 anos ou algo assim, nunca se sabe. Não é que estou dizendo 'não eu não quero', acho isso idiota [dizer nunca]. É só que é muito diferente, e agora eu não me sinto confortável, mas nunca se sabe o que o futuro pode trazer.
Você acha que em alguns anos o After Forever pode se juntar e fazer um show para os fãs? Acho que a gente devia chamar uma advinha pra essa pergunta (Muitas risadas). Eu não sei, meu foco não esta realmente nisso agora, tenho trabalhado em construir minha carreira, minha vida agora com o ReVamp - e isso mostra que uma reunião não é realmente uma prioridade agora. Mas eu sei que há muitas pessoas que iriam gostar de nos ver fazer isso e talvez com tempo aconteça. Mas não agora, definitivamente não é minha prioridade.
Vamos falar sobre algumas músicas do álbum. O que te inspirou na Trial of Monsters? A idéia por trás da letra é que hoje é possível fazer com que ditadores e criminosos de guerra serjam julgados. Há este tribunal de guerra internacional em The Hague aqui na Holanda onde é possível que pessoas que cometeram crimes contra a humanidade serem julgadas. Existe um comitê lá que faz isso e verdadeiramente dá voz a aqueles que se tornaram vitimas dos regimes que foram injustos. Eu acho que isso é uma coisa muito, muito boa. É sobre isso que se trata a Trial of Monsters, o julgamento dos ditadores, criminosos de guerra e outros idiotas como esses.
Você conclui o álbum com uma música chamada I Lost Myself. Me fale sobre essa música, e você Find Youself [você se encontrou]? (Risos)Bem, se você ler a última frase da letra, eu me encontrei sim! Na verdade é um período muito triste é claro, perder você mesma. Acho que muitas pessoas, talvez todo mundo, em algum ponto passam por esse momento. Alguns tem isso por meses, outros por um dia ou uma semana, até por um ano. Mas sempre há uma hora em que você se olha no espelho e pensa "Hey, quem é você mesmo? E o que você quer? Qual é a sua meta mesmo?" Quando o After Forever acabou, 12 anos da minha vida, ao menos um período se encerrou. Realmente tive muitos momentos no espelho pensando "O que você que da sua vida?" Sou uma musicista e cantora e nem podia me imaginar fazem algo diferente. "Mas o que você quer? O que te faz feliz? Como você vai fazer daqui pra frente?" No final daquela música eu cheguei a uma conclusão "Sim! Isso é quem eu sou e sempre serei" Não importa o que aconteça, sempre haverá uma certa base de onde você vem, e isso é você. Seus objetivos irão se ajustar ao longo do caminho, você não ira querer a mesma coisa a sua vida inteira. Então é uma música triste, mas com um final feliz.
Você tem alguma mensagem para os seus fãs aqui do EUA que tem seguido a sua carreira? Primeiro, muito obrigada por seguirem minha carreira, acho que isso é muito especial para uma cantora vinda de um país tão pequeno como a Holanda, ser apoiada por pessoas do outro lado o oceano. Fico muito agradecida por isso. Espero que as pessoas realmente gostem do ReVamp. Espero que aqueles que gostavam do After Forever gostem do ReVamp também, aqueles que nunca gostaram do AF nos dêem uma chance - é diferente. E aqueles que nunca ouviram o After Forever, vocês começaram novos de qualquer jeito e espero que gostem.
(Entrevista de Kenneth Morton) Tradução de FlooRocks.com
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